Fernando Morais fala sobre seus livros para o público do T-bone

04/06/2009 - Correio Web - DF - Notícias
Redação

Chico Buarque que se cuide. Budapeste, a capital húngara, não é só praça do autor de Construção. O jornalista e biógrafo Fernando Morais anda fazendo o maior sucesso por lá. E não só por lá. Nos países vizinhos também. “O mago está na lista de mais vendidos da Hungria e da República Checa”, informa espantado o escritor, referindo-se a sua mais recente criação, a biografia de Paulo Coelho, lançada em junho do ano passado. “O livro vai muito bem. Depois de frequentar as listas de mais vendidos no Brasil, a receptividade no exterior tem sido grande. Não tenho ilusões: o sucesso se deve mais ao personagem do que ao biógrafo. É evidente que o êxito vem de ser um livro revelador, não chapa-branca, oficial. Mas a curiosidade do público é sobre o Paulo”, admite o autor, que participa hoje, às 20h, do projeto Noite Cultural do Açougue T-Bone. “Já tinha ouvido falar desse projeto. Acho a ideia original. Juntar gente para falar de livros é sempre bom, onde quer que seja”, destaca. A noite do T-Bone conta ainda com o espetáculo Sertão de cabo a rabo, da dupla Ruiter Lima e Carlinhos Piauí.

Depois de lançar a biografia do escritor mais lido do planeta em capitais como Buenos Aires, Caracas, Bogotá, Madri, Lisboa e Praga, Fernando Morais dá um tempo no Brasil. Em Brasília, vai falar sobre sua trajetória como jornalista e a carreira de biógrafo, uma das mais bem-sucedidas do país, com projetos como Olga, Chatô, o rei do Brasil e Na toca dos leões, história da agência de publicidade W/Brasil. Também comenta os bastidores de O mago. “Vou contar por que escolhi o Paulo como personagem e falar das dificuldades de biografar uma pessoa viva, algo que nunca tinha feito antes”, comenta. Com 80 mil exemplares vendidos no Brasil, o livro lhe rendeu projeção em várias partes do mundo, mas uma rusga com o biografado, que o acusou, em entrevista a um jornal europeu, de materialista. Detalhe que, segundo o autor de O alquimista, o impediu de enxergar determinados aspectos de sua vida espiritual. Fernando Morais contesta. “Conforme tínhamos combinado, o Paulo só leu o livro depois de impresso — ou seja, não teve acesso aos originais”, salienta Morais. “Não compartilho a crítica: estou convencido de que para o leitor foi melhor um biógrafo ateu do que um crente”, defende.

Enquanto não põe ponto final no livro As sete mortes de ACM, biografia do político baiano que já tomou 11 anos de sua vida, desenvolve outros projetos. Entre eles, um que remete ao lugar que deu origem ao seu primeiro grande livro de reportagem em 1975: A ilha, sobre Cuba. “ACM ainda vai esperar um pouco”, avisa. “Meu próximo livro será sobre os cinco cubanos que se infiltraram em organizações contrarrevolucionárias em Miami para prevenir ataques a Cuba. Apanhados pelo FBI, foram condenados a penas que variam de 20 anos a prisão perpétua”, revela.